Que o Brasil é o país do futebol, não há dúvidas. Mas o esporte somente tem bom nome entre os homens. A CBF tenta. A Federação Mineira de Futebol também tenta – desde 1998 existe futebol feminino em Minas Gerais. Mas ele não desponta, não faz sucesso. O futebol feminino no país é, popularmente, bem menos prestigiado que o masculino. Por quê? A importância do esporte estaria somente entre os homens? Será que isso é fruto de algum preconceito?
Para o chefe do Departamento de Futebol da Federação Mineira de Futebol (FMF), Edmar Pires, o motivo de o futebol feminino não dar muito certo no Brasil é a falta de incentivo ao esporte por causa da rejeição dos clubes, da mídia e dos empresários que, potencialmente, seriam patrocinadores da modalidade. “Por mais que a gente faça esforço, ainda assim ele não tem aceitação de público razoável. As empresas dizem que não tem retorno”, confessa Edmar Pires. O dirigente revela que nem a FMF tem condições de apoiar uma competição feminina, mas não explica o porquê.
Já para o coordenador técnico da equipe feminina do Atlético, Heraldo Mineiro, o motivo de tanto insucesso é o preconceito que as meninas sofrem. Será? “O futebol feminino não desponta no Brasil, infelizmente, primeiro pela discriminação” lamenta o treinador. “É muito difícil para um clube, que mantém uma categoria masculina, ter que conjugar no mesmo espaço uma feminina”. Heraldo Mineiro ressalta que o local de treinamento do time das meninas não é o mesmo do masculino – estes treinam no Centro de Treinamento em Vespasiano, e as garotas, na Vila Olímpica, em Belo Horizonte.
Seja por preconceito, falta de incentivo ou desconfiança de prejuízo financeiro, o futebol feminino é um esporte que merece crédito e, portanto, subsídio. Para a atleta Brenda Silveira, 17 anos, não há condição nenhuma de ficar no Brasil do jeito que está. “O masculino tem tudo o que precisa, o feminino não tem quase nada. Mas nós estamos jogando na raça, porque a gente gosta do esporte”, completa.
Por Bruno Vieira
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Futebol feminino: a vítima de um preconceito
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