Miklos Feher, atacante húngaro de 24 anos do Benfica, de Portugal: vítima de ataque cardíaco no segundo tempo de jogo contra o Vitória local, pelo Campeonato Português. Um caso mais famoso: Serginho, jogador de 30 anos do São Caetano, morto em outubro de 2004, durante partida contra o São Paulo pelo Campeonato Brasileiro, vítima de parada cárdio-respiratória. Aos 27 anos de idade, o atacante da Zâmbia Chaswe Nsofwa foi também vítima de morte súbita durante treino de sua equipe, a israelense Hapoel Beer Sheva, em 2007 – no mesmo dia em que outro jogador, o espanhol Antonio Puerta, de 22 anos, foi enterrado em Sevilha, depois de sofrer uma parada cardíaca enquanto jogava pela equipe da cidade contra o Getafe, pela primeira rodada do Campeonato Espanhol.
Estes casos, ocorridos no futebol profissional e bastante comuns recentemente, colocam em xeque a idéia de que esporte é sempre sinônimo de saúde. A busca por um alto desempenho pode por em risco a integridade física dos atletas, principalmente quando já houver alguma pré-disposição a algum problema, segundo O médico do esporte e educador físico especialista na prevenção a problemas cardíacos, Ricardo Stein. De acordo com ele, Serginho, do São Caetano, assim como vários outros jogadores vítimas de morte súbita, tinha uma anomalia no coração que tornava o risco do exercício físico maior do que seus benefícios devido a uma arritmia do órgão.
O desenvolvimento tecnológico pode ser utilizado como uma importante ferramenta de prevenção nesses casos, segundo o especialista, como a ressonância nuclear magnética, que permite enxergar diversas estruturas cardíacas. A terapia gênica também tem sido uma área em franca expansão na medicina, mas ainda precisa ser desenvolvida, de acordo com Ricardo Stein, para tentar tratar doenças cardíacas de origem genética. Os desafios vão ainda além disso: a chamada síndrome do coração do atleta (crescimento das cavidades cardíacas e diminuição da freqüência do coração – resultado de prática regular e crônica de exercícios) continua a ser vista de forma positiva, mas ainda não se sabe ao certo se essas alterações são realmente benignas e não escondem futuras doenças.
Mas mesmo nos casos de atletas que não são pré-dispostos a alguma complicação com a prática esportiva, Ricardo Stein afirma que atualmente, vários estudos têm identificado a atividade física em excesso como um grande vilão da saúde. As hipóteses levantadas pelas pesquisas apontam que o treinamento excessivo poderia desencadear uma doença chamada displasia ritmogênica do ventrículo direito, caracterizada por modificar estruturas do coração e responsável pela morte súbita de atletas de alta performance. Segundo o médico, o fato de colocarem músculos, articulações, pulmões, tendões e coração sempre no limite faz com que esses atletas tenham uma vida mais curta do que outras pessoas.
Apesar de a falta de moderação e o excesso de atividade física poderem se tornar um risco, a falta de exercícios também pode se transformar em um grande problema. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2007, cerca de 30% da população brasileira tinha uma vida considerada sedentária, ou seja, não praticavam atividades físicas no tempo livre, não realizavam grandes esforços no trabalho, não caminhavam ou andavam de bicicleta, nem faziam limpezas pesadas. O preço disso tudo, segundo os especialistas em saúde, pode ser, entre outras coisas, obesidade, dores articulares, pressão alta, doenças cardíacas, má postura, encurtamento muscular, baixa resistência orgânica e alto nível de estresse.
Por Fábio Freitas
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Exercícios que protegem – e que matam
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