Com o passar do tempo, os estudos sobre o transtorno se aperfeiçoaram e, hoje, o TDAH é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde. No entanto, essa conquista ainda não significa unanimidade. A presidente da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), Iane Kestelman, lamenta que, mesmo com todas as pesquisas a respeito, muitas pessoas veem a hiperatividade como um reflexo da "falta de atenção dos pais para com os filhos". Ela reclama que "existe um grupo de profissionais que dizem que todos esses transtornos são modernos, inventados para 'medicalizar' a aprendizagem a serviço da indústria farmacêutica".
Essa crítica da presidente da ABDA responde à polêmica que gira em torno do uso de remédios no tratamento dos sintomas do TDAH. O metilfenidato, mais conhecido pelo nome comercial Ritalina, é o mais usado para tratar esses pacientes. A substância química aumenta a concentração e diminui os sintomas de hiperatividade e, ao contrário do que alguns leigos pensam, não é calmante e sim estimulante.
O principal fator que levou à intensa discussão sobre a credibilidade da Ritalina foi a prescrição e o uso excessivo e indevido do medicamento, nos últimos dez anos. O remédio passou a ser receitado e vendido de forma indiscriminada e até ilegal (é possível encontrar o medicamento à venda na Internet, por exemplo). Além disso, a resistência de certos pais em aceitarem a doença dos filhos também contribui para o preconceito contra o uso do remédio para melhorar o desempenho dos alunos na escola.
O diretor e professor do Teatro Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais, Fernando Limoeiro, é portador do transtorno e assume que resistiu a iniciar o tratamento medicamentoso, mas o médico dele conseguiu convencê-lo. Depois de alguns meses tomando o remédio, ele reconhece que a pessoa que mais notou as diferenças no comportamento dele foi sua esposa. Mas Limoeiro percebeu uma grande melhora: a qualidade do sono. "Eu dormia quatro horas por noite. Agora não, eu durmo sete ou oito horas por noite, minha mente está mais tranqüila", pondera.
Por Luciana Carvalho
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
O que tem remédio...
Philip era uma criança difícil, inquieta, desconcentrada e agressiva. O garoto era tão indisciplinado que levou o alemão Heinrich Hoffman a registrar seu comportamento no conto The story of the Fidgety Philip ("A história do agitado Felipe" – tradução livre), no ano de 1845. A descrição das travessuras de Philip é considerada hoje como a primeira inscrição do que chamamos, desde a década de 1980, de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, ou TDAH.
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