Desde janeiro deste ano, com a aprovação da Nova Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva de Educação Inclusiva, a Educação Inclusiva passou a ter lugar de destaque no ensino no Brasil. Essa modalidade, que consiste na adaptação física e humana das escolas regulares para receber alunos com deficiência, está sendo implementada em todo o país. Para conhecer um pouco mais sobre o assunto, Realejo conversou com a professora Priscila Augusta Lima, coordenadora do Grupo de Estudos de Educação Inclusiva e Necessidades Educacionais Especiais da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais.
Quais os princípios básicos da educação inclusiva e o que a diferencia da educação especial?
Até a década de 80 as pessoas com deficiência iam para escolas especiais. Às vezes entrava um menino cego com inteligência normal, mas a escola não tinha obrigação de alfabetizar porque era uma escola especial. As pessoas passavam anos ali sem nunca aprender a ler e escrever. Outra alternativa era a integração, que começou no fim da década de 60. Porém esse sistema não questiona nada da escola e serve apenas aos que têm condição de se adaptar à instituição. Se um aluno tem um problema de visão, por exemplo, tem que buscar materiais em Braille fora da escola.
Já a inclusão transfere para a instituição de ensino a obrigação de educar e de buscar instrumentos para isso. Ela implica numa alteração da escola e envolve o sistema de ensino, que tem que investir na qualificação dos professores, material adequado e recursos educativos, além de estimular a educação dessas crianças junto com as outras, proporcionando aos outros uma visão da diversidade humana.
Quais as vantagens da educação inclusiva?
A educação inclusiva provoca situações que deverão ser pensadas e alteradas para toda a sociedade. É o que chamamos "construção de uma mentalidade inclusiva". Um exemplo é a deficiência física, que exige alteração do ambiente, como rampa, banheiro adaptado, passagens para cadeira de rodas. Isso permite que pessoas cheguem a espaços e tenham contato com as outras, saindo do isolamento, além de possibilitar às demais um contato com a diversidade humana. Essa alteração do espaço físico também beneficia quem estiver com uma dificuldade temporária de locomoção, favorece a interação e faz com que as pessoas passem a perceber que pessoas com deficiência não são incapazes.
Quais as bases da implementação da educação inclusiva no Brasil, já que as escolas carecem de recursos até para lidar com os alunos que não têm deficiência?
Com certeza faltam recursos, instalações e apoio pedagógico. Muitas vezes nem o supervisor tem informações. Outro problema sério é a questão salarial. Geralmente o professor trabalha em dois turnos, além da maioria feminina que tem ainda mais uma jornada em casa, então não tem como desenvolver uma atividade pensada para todos. Nessas condições de trabalho, mesmo que a educação inclusiva seja enfatizada, o professor não tem tempo para refletir.
Há um movimento de inclusão total, que propõe o fechamento das escolas especiais e encaminhamento de todos à escola comum, e outro que tenta trabalhar com a idéia de uma transição, em que as escolas especiais ainda têm um papel mesmo na formação dos professores. Qual sua opinião sobre isso?
O fechamento da escola especial deixou muita gente sem saber o que fazer. Há adultos dentro de casa, que não saem mais, por conta dessa idéia. Então, isso tem que ser pensado e tem que ser desenvolvida uma política para os adultos com deficiência que estão em casa. Por outro lado deve haver uma pressão para a inclusão na escola comum, se não até crianças com problema de escrita comuns, que podem ser alterados no decorrer do aprendizado, seriam mandados para escola especial.
A proposta de inclusão total nega o que foi alcançado pela educação especial. A educação especial também produziu conhecimento e pesquisa que hoje ajudam na educação inclusiva. O campo da educação especial existe e não pode ser fechado como se nunca tivesse existido. É necessário construir uma passagem para a inclusão, que é o que tem sido feito agora.
Por João Paulo Prazeres
quarta-feira, 4 de março de 2009
"É necessário construir uma passagem para a inclusão"
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
O que tem remédio...
Com o passar do tempo, os estudos sobre o transtorno se aperfeiçoaram e, hoje, o TDAH é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde. No entanto, essa conquista ainda não significa unanimidade. A presidente da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), Iane Kestelman, lamenta que, mesmo com todas as pesquisas a respeito, muitas pessoas veem a hiperatividade como um reflexo da "falta de atenção dos pais para com os filhos". Ela reclama que "existe um grupo de profissionais que dizem que todos esses transtornos são modernos, inventados para 'medicalizar' a aprendizagem a serviço da indústria farmacêutica".
Essa crítica da presidente da ABDA responde à polêmica que gira em torno do uso de remédios no tratamento dos sintomas do TDAH. O metilfenidato, mais conhecido pelo nome comercial Ritalina, é o mais usado para tratar esses pacientes. A substância química aumenta a concentração e diminui os sintomas de hiperatividade e, ao contrário do que alguns leigos pensam, não é calmante e sim estimulante.
O principal fator que levou à intensa discussão sobre a credibilidade da Ritalina foi a prescrição e o uso excessivo e indevido do medicamento, nos últimos dez anos. O remédio passou a ser receitado e vendido de forma indiscriminada e até ilegal (é possível encontrar o medicamento à venda na Internet, por exemplo). Além disso, a resistência de certos pais em aceitarem a doença dos filhos também contribui para o preconceito contra o uso do remédio para melhorar o desempenho dos alunos na escola.
O diretor e professor do Teatro Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais, Fernando Limoeiro, é portador do transtorno e assume que resistiu a iniciar o tratamento medicamentoso, mas o médico dele conseguiu convencê-lo. Depois de alguns meses tomando o remédio, ele reconhece que a pessoa que mais notou as diferenças no comportamento dele foi sua esposa. Mas Limoeiro percebeu uma grande melhora: a qualidade do sono. "Eu dormia quatro horas por noite. Agora não, eu durmo sete ou oito horas por noite, minha mente está mais tranqüila", pondera.
Por Luciana Carvalho
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
O homem e a música, a musicoterapia e a saúde
É difícil nomear uma época específica em que a música passa a ser usada como uma ferramenta que promove o bem estar do ser humano. Ela tem presença nas práticas dos homens desde a pré-história. Está presente em comemorações festivas de antigos povos como os mesopotâmios, também em cultos católicos na Idade Média ou mesmo em rituais antropofágicos dos índios brasileiros, sobretudo antes da descoberta. Não há como negar que a música tem um papel social importante em toda a história da humanidade. A musicoterapia parece "entender" isso muito bem na medida em que se apóia no fato de que a música pode gerar no ser humano, não apenas um efeito de apreciação estética, como também efeitos sobre a mente, o corpo e a psique dos indivíduos. Esses efeitos passam a ser investigados com maior dedicação a partir de meados do século XX quando surgem os primeiros estudos que buscam esclarecer de que formas a música age no homem. As duas grandes guerras do século passado foram "ativadoras" desse interesse, pois a música passou a ser utilizada em tratamentos médicos para recuperação dos atingidos pelas guerras na Inglaterra e nos EUA. Na América Latina e no Brasil é a partir do final da década de 70 que surgem as primeiras associações que vão difundir a musicoterapia na busca da construção do seu campo profissional por meio da organização de atividades como, encontros e simpósios para a divulgação de estudos. A própria Associação dos Musicoterapeutas do Estado de Minas Gerais, criada em 1978, tem um forte papel na consolidação da área, exemplo disso é o seu papel na defesa da aprovação da graduação que foi ofertada no último vestibular da Universidade Federal Minas Gerais. Rafael Azevedo
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Exercícios que protegem – e que matam
Miklos Feher, atacante húngaro de 24 anos do Benfica, de Portugal: vítima de ataque cardíaco no segundo tempo de jogo contra o Vitória local, pelo Campeonato Português. Um caso mais famoso: Serginho, jogador de 30 anos do São Caetano, morto em outubro de 2004, durante partida contra o São Paulo pelo Campeonato Brasileiro, vítima de parada cárdio-respiratória. Aos 27 anos de idade, o atacante da Zâmbia Chaswe Nsofwa foi também vítima de morte súbita durante treino de sua equipe, a israelense Hapoel Beer Sheva, em 2007 – no mesmo dia em que outro jogador, o espanhol Antonio Puerta, de 22 anos, foi enterrado em Sevilha, depois de sofrer uma parada cardíaca enquanto jogava pela equipe da cidade contra o Getafe, pela primeira rodada do Campeonato Espanhol.
Estes casos, ocorridos no futebol profissional e bastante comuns recentemente, colocam em xeque a idéia de que esporte é sempre sinônimo de saúde. A busca por um alto desempenho pode por em risco a integridade física dos atletas, principalmente quando já houver alguma pré-disposição a algum problema, segundo O médico do esporte e educador físico especialista na prevenção a problemas cardíacos, Ricardo Stein. De acordo com ele, Serginho, do São Caetano, assim como vários outros jogadores vítimas de morte súbita, tinha uma anomalia no coração que tornava o risco do exercício físico maior do que seus benefícios devido a uma arritmia do órgão.
O desenvolvimento tecnológico pode ser utilizado como uma importante ferramenta de prevenção nesses casos, segundo o especialista, como a ressonância nuclear magnética, que permite enxergar diversas estruturas cardíacas. A terapia gênica também tem sido uma área em franca expansão na medicina, mas ainda precisa ser desenvolvida, de acordo com Ricardo Stein, para tentar tratar doenças cardíacas de origem genética. Os desafios vão ainda além disso: a chamada síndrome do coração do atleta (crescimento das cavidades cardíacas e diminuição da freqüência do coração – resultado de prática regular e crônica de exercícios) continua a ser vista de forma positiva, mas ainda não se sabe ao certo se essas alterações são realmente benignas e não escondem futuras doenças.
Mas mesmo nos casos de atletas que não são pré-dispostos a alguma complicação com a prática esportiva, Ricardo Stein afirma que atualmente, vários estudos têm identificado a atividade física em excesso como um grande vilão da saúde. As hipóteses levantadas pelas pesquisas apontam que o treinamento excessivo poderia desencadear uma doença chamada displasia ritmogênica do ventrículo direito, caracterizada por modificar estruturas do coração e responsável pela morte súbita de atletas de alta performance. Segundo o médico, o fato de colocarem músculos, articulações, pulmões, tendões e coração sempre no limite faz com que esses atletas tenham uma vida mais curta do que outras pessoas.
Apesar de a falta de moderação e o excesso de atividade física poderem se tornar um risco, a falta de exercícios também pode se transformar em um grande problema. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2007, cerca de 30% da população brasileira tinha uma vida considerada sedentária, ou seja, não praticavam atividades físicas no tempo livre, não realizavam grandes esforços no trabalho, não caminhavam ou andavam de bicicleta, nem faziam limpezas pesadas. O preço disso tudo, segundo os especialistas em saúde, pode ser, entre outras coisas, obesidade, dores articulares, pressão alta, doenças cardíacas, má postura, encurtamento muscular, baixa resistência orgânica e alto nível de estresse.
Por Fábio Freitas
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Consumidores da madrugada
O serviço 24 horas é uma tendência já presente em diversas cidades do Brasil. Seja em bares, lanchonetes, drogarias, videolocadoras ou supermercados, o funcionamento dia e noite atrai cada vez mais os consumidores. Mas qual o perfil dos consumidores da madrugada?
Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual de São Paulo – UNESP analisou o perfil dos consumidores noturnos de lojas de conveniência e supermercados de São Paulo, a cidade brasileira que mais conta com estabelecimentos 24 horas. De acordo com o estudo, o perfil dos consumidores que compram durante a madrugada é prioritariamente de jovens, entre 18 e 35 anos, sendo 70% homens e a maioria possuidora de automóvel ou moto. Nos finais de semana esse perfil muda e o local 24 horas acaba se tornando ponto de encontro, espaço de lazer.
De acordo com o professor Carlos Henrique Costa da Silva, idealizador da pesquisa, a localização do estabelecimento é um dos aspectos que o consumidor mais valoriza em comércios 24 horas. "Entre os aspectos destacamos a localização das lojas, a comodidade de ter perto de casa um comércio com funcionamento ininterrupto", ressalta.
Outra questão importante que leva as pessoas a preferirem as compras após o horário comercial tradicional é o fluxo de pessoas nas lojas. "A questão do movimento é fundamental. Muitos dos consumidores entrevistados destacaram que só preferem fazer as compras de madrugada devido a inexistência de filas e a possibilidade de ler os rótulos dos produtos e poder circular livremente pelos corredores sem atropelos", evidencia Carlos Henrique.
A pesquisa também ressalta que o perfil e a quantidade de consumidores que frequentam as lojas durante a madrugada variam de acordo com o período do mês e do ano. Assim, nos dias próximos ao recebimento de salário, por exemplo, a circulação de pessoas é maior.
Por Flora Viana
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Futebol feminino: a vítima de um preconceito
Que o Brasil é o país do futebol, não há dúvidas. Mas o esporte somente tem bom nome entre os homens. A CBF tenta. A Federação Mineira de Futebol também tenta – desde 1998 existe futebol feminino em Minas Gerais. Mas ele não desponta, não faz sucesso. O futebol feminino no país é, popularmente, bem menos prestigiado que o masculino. Por quê? A importância do esporte estaria somente entre os homens? Será que isso é fruto de algum preconceito?
Para o chefe do Departamento de Futebol da Federação Mineira de Futebol (FMF), Edmar Pires, o motivo de o futebol feminino não dar muito certo no Brasil é a falta de incentivo ao esporte por causa da rejeição dos clubes, da mídia e dos empresários que, potencialmente, seriam patrocinadores da modalidade. “Por mais que a gente faça esforço, ainda assim ele não tem aceitação de público razoável. As empresas dizem que não tem retorno”, confessa Edmar Pires. O dirigente revela que nem a FMF tem condições de apoiar uma competição feminina, mas não explica o porquê.
Já para o coordenador técnico da equipe feminina do Atlético, Heraldo Mineiro, o motivo de tanto insucesso é o preconceito que as meninas sofrem. Será? “O futebol feminino não desponta no Brasil, infelizmente, primeiro pela discriminação” lamenta o treinador. “É muito difícil para um clube, que mantém uma categoria masculina, ter que conjugar no mesmo espaço uma feminina”. Heraldo Mineiro ressalta que o local de treinamento do time das meninas não é o mesmo do masculino – estes treinam no Centro de Treinamento em Vespasiano, e as garotas, na Vila Olímpica, em Belo Horizonte.
Seja por preconceito, falta de incentivo ou desconfiança de prejuízo financeiro, o futebol feminino é um esporte que merece crédito e, portanto, subsídio. Para a atleta Brenda Silveira, 17 anos, não há condição nenhuma de ficar no Brasil do jeito que está. “O masculino tem tudo o que precisa, o feminino não tem quase nada. Mas nós estamos jogando na raça, porque a gente gosta do esporte”, completa.
Por Bruno Vieira
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Uma História de Inclusão
Nas apurações para a realização da matéria A Caminho da Inclusão (Faixa 16, nº3), Realejo conversou com a professora Catarina de Souza Cruz. Professora, mãe e engajada na luta pelos direitos das pessoas com deficiência, Catarina apresenta uma visão ampla e esclarecida da educação inclusiva. Na conversa com Realejo, revelou-se não só uma mãe cuidadosa e dedicada, mas uma pessoa estudiosa e que defende uma visão bem fundamentada a respeito da inclusão.
Sua relação com a educação inclusiva e com o movimento das pessoas com deficiência iniciou-se em 1997 com o nascimento de sua terceira filha, Luiza, que tem síndrome de Down. A partir daí, Catarina percebeu que para construir uma vida melhor para a filha precisaria estudar para entender melhor sobre sua síndrome e tentar compreender o mundo que a envolvia. Para isso, passou a se relacionar com grupos e associações envolvidos com pessoas com deficiência.
Sobretudo no início não foi fácil. O primeiro grande obstáculo enfrentado foi a falta generalizada de informações sobre a síndrome, num nível tão elevado que até mesmo os médicos não tinham conhecimento suficiente para sanar todas as dúvidas da família.
Diante dessa falta de informação, Catarina resolveu pesquisar por si mesma. Formada em história, dedicou seu trabalho de mestrado a estudar o modo como as pessoas com deficiência eram percebidas ao longo dos tempos. Pesquisou ainda sobre educação inclusiva e realizou um estudo de caso de sua filha. A partir das pesquisas, produziu o livro Síndrome de Down: História e Inclusão (Ed. Quarup, 2007), numa iniciativa para de contribuir para que haja mais informação disponível sobre o assunto.
Educação Inclusiva
Catarina explica que é comum confundir educação inclusiva com a educação para pessoas com deficiência. Ela defende que, como no Brasil a exclusão tem uma grande amplitude, a educação inclusiva deve acolher todos os que, no decorrer da história, foram excluídos da escola, como as pessoas com deficiência, os negros, os pobres, os indígenas, os moradores de rua e, durante um período, as mulheres.
Para tanto, segundo a professora e mãe, a escola deve ser apta e capacitada e ter principalmente o desejo de ensinar a todos. Isso requer das instituições de ensino uma maior mobilidade e a quebra de alguns paradigmas que já estão consolidados. “Até há pouco tempo nós professores acreditávamos que se o professor falasse e os alunos escutassem, os alunos aprenderiam. Ensinávamos um conteúdo, dávamos uma prova igual para todos e quem não alcançasse 60% estava reprovado, como se todos aprendessem da mesma forma e ao mesmo tempo. Agora o que nós entendemos é que não é assim. As pessoas não aprendem da mesma forma nem ao mesmo tempo”, declara.
Para Catarina, na maior parte das vezes o preconceito é fruto da falta de informação. Muitos crêem erroneamente que as pessoas com deficiência não são capazes de fazer determinadas atividades. Essa crença existe porque não foi difundida a informação de que é possível às pessoas com deficiência realizar essas atividades. Por isso, há diversas entidades que se empenham em levar informação às pessoas, às escolas e às comunidades e mostrar que é possível incluir na sociedade todas as pessoas com deficiência.
Catarina esclarece que as pessoas com síndrome de Down podem aprender tudo o que seus colegas aprendem, mas precisam de mais tempo e, muitas vezes, de uma didática diferenciada. O professor deve ter a capacidade de entender que as pessoas aprendem de formas diferentes e o ensino não pode ser o tradicional, que abusa de aulas expositivas e limita os alunos à tarefa de copiar. Além disso, a professora defende que a relação entre ensinar e aprender deve ser uma relação de diálogo entre as partes: “Não pode ficar o professor no pedestal na frente e o aluno com alguém que só aprende. O aluno nos ensina muito e a educação inclusiva nos faz perceber isso”.
Outra crença existente é a de que a educação inclusiva é boa somente para as pessoas que estão sendo incluídas. Na verdade, os benefícios da inclusão vão além e a educação inclusiva é muito boa para todas as pessoas. Catarina salienta que quando se fala incluir todas as pessoas com deficiência, trata-se até das que possuem deficiência mais severa, já que todos são capazes de conviver em sociedade e podem ter algum ganho com isso. Maior ainda, completa a pesquisadora, será o ganho da sociedade ao conviver com essas pessoas.
A mãe já sente a diferença no comportamento dos colegas na escola da filha: observou que são crianças que lidam bem com as diferenças e com a deficiência, sem preconceito ou medo. Com relação à sociedade em geral, também aponta um progresso, haja vista o simples fato de que atualmente se vê mais pessoas com deficiência nas ruas com mais freqüência, o que indica que as famílias se conscientizaram da importância do convívio social. Mesmo com esse quadro, fica claro que as mudanças são devidas à manifestação da sociedade, principalmente por meio das entidades relacionadas a pessoas com deficiência. Por isso é importante que as famílias se informem e procurem essas entidades, de modo a fortalecer o movimento e facilitar a inclusão.
Em Belo Horizonte, uma referência é o Conselho Municipal da Pessoa Portadora de Deficiência, o e-mail é cmppd@pbh.gov.br e o telefone é 3277-4694.
Por João Paulo Prazeres