segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Uma História de Inclusão

Nas apurações para a realização da matéria A Caminho da Inclusão (Faixa 16, nº3), Realejo conversou com a professora Catarina de Souza Cruz. Professora, mãe e engajada na luta pelos direitos das pessoas com deficiência, Catarina apresenta uma visão ampla e esclarecida da educação inclusiva. Na conversa com Realejo, revelou-se não só uma mãe cuidadosa e dedicada, mas uma pessoa estudiosa e que defende uma visão bem fundamentada a respeito da inclusão.

Sua relação com a educação inclusiva e com o movimento das pessoas com deficiência iniciou-se em 1997 com o nascimento de sua terceira filha, Luiza, que tem síndrome de Down. A partir daí, Catarina percebeu que para construir uma vida melhor para a filha precisaria estudar para entender melhor sobre sua síndrome e tentar compreender o mundo que a envolvia. Para isso, passou a se relacionar com grupos e associações envolvidos com pessoas com deficiência.

Sobretudo no início não foi fácil. O primeiro grande obstáculo enfrentado foi a falta generalizada de informações sobre a síndrome, num nível tão elevado que até mesmo os médicos não tinham conhecimento suficiente para sanar todas as dúvidas da família.

Diante dessa falta de informação, Catarina resolveu pesquisar por si mesma. Formada em história, dedicou seu trabalho de mestrado a estudar o modo como as pessoas com deficiência eram percebidas ao longo dos tempos. Pesquisou ainda sobre educação inclusiva e realizou um estudo de caso de sua filha. A partir das pesquisas, produziu o livro Síndrome de Down: História e Inclusão (Ed. Quarup, 2007), numa iniciativa para de contribuir para que haja mais informação disponível sobre o assunto.

Educação Inclusiva
Catarina explica que é comum confundir educação inclusiva com a educação para pessoas com deficiência. Ela defende que, como no Brasil a exclusão tem uma grande amplitude, a educação inclusiva deve acolher todos os que, no decorrer da história, foram excluídos da escola, como as pessoas com deficiência, os negros, os pobres, os indígenas, os moradores de rua e, durante um período, as mulheres.

Para tanto, segundo a professora e mãe, a escola deve ser apta e capacitada e ter principalmente o desejo de ensinar a todos. Isso requer das instituições de ensino uma maior mobilidade e a quebra de alguns paradigmas que já estão consolidados. “Até há pouco tempo nós professores acreditávamos que se o professor falasse e os alunos escutassem, os alunos aprenderiam. Ensinávamos um conteúdo, dávamos uma prova igual para todos e quem não alcançasse 60% estava reprovado, como se todos aprendessem da mesma forma e ao mesmo tempo. Agora o que nós entendemos é que não é assim. As pessoas não aprendem da mesma forma nem ao mesmo tempo”, declara.

Para Catarina, na maior parte das vezes o preconceito é fruto da falta de informação. Muitos crêem erroneamente que as pessoas com deficiência não são capazes de fazer determinadas atividades. Essa crença existe porque não foi difundida a informação de que é possível às pessoas com deficiência realizar essas atividades. Por isso, há diversas entidades que se empenham em levar informação às pessoas, às escolas e às comunidades e mostrar que é possível incluir na sociedade todas as pessoas com deficiência.

Catarina esclarece que as pessoas com síndrome de Down podem aprender tudo o que seus colegas aprendem, mas precisam de mais tempo e, muitas vezes, de uma didática diferenciada. O professor deve ter a capacidade de entender que as pessoas aprendem de formas diferentes e o ensino não pode ser o tradicional, que abusa de aulas expositivas e limita os alunos à tarefa de copiar. Além disso, a professora defende que a relação entre ensinar e aprender deve ser uma relação de diálogo entre as partes: “Não pode ficar o professor no pedestal na frente e o aluno com alguém que só aprende. O aluno nos ensina muito e a educação inclusiva nos faz perceber isso”.

Outra crença existente é a de que a educação inclusiva é boa somente para as pessoas que estão sendo incluídas. Na verdade, os benefícios da inclusão vão além e a educação inclusiva é muito boa para todas as pessoas. Catarina salienta que quando se fala incluir todas as pessoas com deficiência, trata-se até das que possuem deficiência mais severa, já que todos são capazes de conviver em sociedade e podem ter algum ganho com isso. Maior ainda, completa a pesquisadora, será o ganho da sociedade ao conviver com essas pessoas.

A mãe já sente a diferença no comportamento dos colegas na escola da filha: observou que são crianças que lidam bem com as diferenças e com a deficiência, sem preconceito ou medo. Com relação à sociedade em geral, também aponta um progresso, haja vista o simples fato de que atualmente se vê mais pessoas com deficiência nas ruas com mais freqüência, o que indica que as famílias se conscientizaram da importância do convívio social. Mesmo com esse quadro, fica claro que as mudanças são devidas à manifestação da sociedade, principalmente por meio das entidades relacionadas a pessoas com deficiência. Por isso é importante que as famílias se informem e procurem essas entidades, de modo a fortalecer o movimento e facilitar a inclusão.

Em Belo Horizonte, uma referência é o Conselho Municipal da Pessoa Portadora de Deficiência, o e-mail é cmppd@pbh.gov.br e o telefone é 3277-4694.

Por João Paulo Prazeres

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Do limão à limonada


Ele teve coragem de assumir que tem o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) para cerca de 400 pessoas, em um simpósio que discutiu o problema. Fernando Limoeiro, 57 anos, diretor e professor do Teatro Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais, teve a garra de poucos. O objetivo dele é ajudar pais, professores e portadores de TDAH a enfrentar o problema. Seu instrumento é o teatro. Autor do esquete Esqueci de me lembrar, apresentado no mesmo evento, Fernando Limoeiro pretende levar a peça a outros públicos para contar um pouco do que se passa na vida escolar de quem tem o transtorno. Nascido na cidade de Limoeiro, no sertão de Pernambuco, Fernando Antônio de Melo (nome recebido por ele no nascimento) declara que por meio da hiperatividade “Deus o condenou à alegria”. Nesta entrevista você confere um pouco da experiência de quem conseguiu fazer uma boa limonada com vários limões.
Como e quando o senhor descobriu o TDAH?
Tomei contato pela primeira vez com esse transtorno, aos 48 anos de idade. Li um livro chamado Síndromes silenciosas e comecei a me identificar. Se eu estou lendo um livro e estou interessado, eu mergulho com tal profundidade que o mundo se abstém. Einstein, por exemplo, passava 20 horas resolvendo uma equação e para ele isso não era um problema. Em compensação, muitas vezes ele parava um aluno no campus da universidade para perguntar: “de onde é que eu estou vindo, do lado direito ou do lado esquerdo? Do lado esquerdo, ahh... então eu acabei de almoçar”. (risos)
Ao mesmo tempo em que eu fui me descobrindo, eu fui descobrindo a potencialidade de quem possui o transtorno. E aí quase que eu comecei a gostar de ter, porque o Bill Gates também tem, Leonardo da Vinci e Einstein tinham TDAH, então quando eu vi que esses gênios todos eram portadores do transtorno eu tive duas sensações. A primeira de dizer “vai ver que sou um gênio e não sei” (risos), e depois eu comecei a pensar no que eu sofri por toda a infância por ser portador do transtorno.
Que tipo de problemas o TDAH trouxe para sua vida?
Há um caso muito curioso, que pela primeira vez vou contar. Eu tinha acabado de participar de uma banca examinadora e fui para o aeroporto. Lá descobri um livro que há anos eu queria ler. Quando eu comprei o livro na livraria do aeroporto já foi uma coisa de outro mundo. Aí comecei a ler: capa, orelha, prefácio, introdução... E já estava na sala de espera quando chamaram: “Atenção senhores passageiros do vôo 1626, com destino a Belo Horizonte...”. Daí a pouco: “Atenção, senhor Fernando Antônio de Melo, favor comparecer ao balcão da Gol...”. Claro que o avião foi embora e eu perdi o vôo porque eu nem sequer ouvi as chamadas já que meu foco estava totalmente centrado na leitura. Aí eu troquei a passagem enlouquecido e voltei para o hotel mais enlouquecido ainda. No outro dia, eu sentei no mesmo lugar, abri o mesmo livro num capítulo mais interessante ainda... e perdi o avião de novo. Não é inacreditável? (risos) Foi aí que eu disse: “chegou a hora de procurar ajuda”.
O senhor acha que as dificuldades seriam maiores se não tivesse descoberto o problema?
Por ser uma pessoa que gosta de profundidade, de mergulhar na essência da vida, eu sofreria três vezes mais. Porque eu não sabia explicar porque eu tinha essas atitudes. E é muito difícil você ter uma pessoa com a minha coragem, um professor universitário, diretor de uma unidade, uma pessoa de razoável sucesso que assumiu o problema para que as outras pessoas que têm o mesmo transtorno não sofram o que eu sofri. É essa a razão de escrever o Esqueci de me lembrar, eu elaborei esse esquete para que a gente possa ajudar crianças, professores, pais, porque é muito raro você chegar numa classe que não tenha um ou dois TDAH.
O senhor ressalta bastante a ajuda que tem de sua esposa. Esse apoio e compreensão é muito importante para quem tem hiperatividade não é mesmo?
A minha esposa faz muito o papel de secretária. Não é brincadeira lidar comigo porque eu esqueço uma coisa, esqueço outra, então é preciso ter uma pessoa que tenha essa atitude de “secretariar”. Ela me ajuda muito no processo de organização. E quando é o teu amor, se junta o útil ao agradável. (risos)
Por Luciana Carvalho

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Lula entrega Prêmio Jovem Cientista

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa hoje (27), às 16h, no Palácio do Planalto, da cerimônia de premiação dos vencedores do 23º Prêmio Jovem Cientista. O tema este ano foi Educação para Reduzir as Desigualdades Sociais.

Nesta edição do prêmio, foram inscritos 1.748 trabalhos de todo o país, sendo 485 na categoria Graduado; 293 na categoria Estudante do Ensino Superior e 970 na categoria Estudante do Ensino Médio. Os vencedores receberão prêmios que vão de R$ 7 mil a R$ 30 mil, além de bolsas de estudos e computadores. Os melhores trabalhos do 23º Prêmio Jovem Cientista serão publicados em livro, para a divulgação em centros de pesquisa, universidades e instituições públicas e privadas.

Dentre os premiados, como este blog já relatou, está a Revista Realejo, em terceiro lugar na Categoria Graduado com o trabalho Realejo: a experiência de produzir uma revista para pessoas com deficiência visual ficou com o terceiro lugar da categoria Graduado no XXIII Prêmio Jovem Cientista. A pesquisa concorreu com outros 484 trabalhos de todo o país. Ao todo, foram 1748 inscrições em todas as categorias. O Prêmio tem como objetivos estimular a pesquisa, revelar talentos e investir em estudantes e profissionais que procuram alternativas para os problemas brasileiros e nesta edição teve como tema Educação para reduzir as desigualdades sociais.

Promovido pelo CNPq, Gerdau e Fundação Roberto Marinho, o Prêmio Jovem Cientista foi criado em 1981 com o objetivo de incentivar a pesquisa no país.

Com informações da Agência Brasil.

UPDATE em 28 de novembro de 2008.
Jornal Nacional - 27/11/2008

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Preservação em cheque

O conjunto da Praça da Liberdade, construído até a metade do século 20, foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha - MG), pelo Decreto 18.531, de 2/6/1977. Isso quer dizer que deve ser preservada "toda a Praça da Liberdade, incluindo o interior dos prédios, suas obras de arte e sua volumetria", explica o presidente do Sindicato dos Arquitetos de Belo Horizonte, Eduardo Fajardo. Crítico ferrenho do Circuito Cultural da Praça da Liberdade, um dos alvos do arquiteto são as obras da antiga Secretaria de Fazenda.

O projeto inicial previa que o prédio abrigaria a sede da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, patrocinada pela Companhia Vale do Rio Doce. Para acomodar a estrutura necessária, o plano arquitetônico previa a derrubada de algumas paredes internas. Entendendo que este ato feria a lei do tombamento, o Ministério Público Estadual (MPE) ajuizou uma ação de embargo contra as intervenções. A ação ainda aguarda a decisão do Supremo Tribunal Federal, mas as outras instâncias deram parecer favorável ao MPE. Prevendo a derrota, a Vale do Rio Doce abandonou o projeto para a sede da Orquestra, que foi substituído pelo Memorial das Minas Gerais. Para Eduardo Fajardo, as intervenções indevidas apenas migraram do interior para o exterior: "A mudança foi um grande avanço, mas o projeto ainda tem muitos problemas. No prédio da Secretaria de Educação, por exemplo, vai ser criado um terceiro andar, que aparece notoriamente na fachada, inclusive é um volume vermelho, que a gente chama de Baleia Vermelha. O projeto prevê também a criação de um elevador panorâmico externo ao prédio, ou seja, é flagrantemente contra a lei do tombamento".

De acordo com a arquiteta responsável pelo Circuito, Jô Vasconcelos, as irregularidades ficaram para trás: "O Governo substituiu a obra de maior impacto, que seria a Sede da Orquestra, por uma de menor impacto. As intervenções para o Memorial são apenas de restauro". Para finalizar, Jô Vasconcelos afirma que todas as reformas previstas estão de acordo com as leis de tombamento. "Todos esses projetos estão passando por aprovação nos órgãos competentes de patrimônio como o IEPHA".

Outra ação de embargo tramita hoje na justiça contra as obras da Secretaria de Educação. Seguindo os passos do processo movido contra as intervenções na Secretaria da Fazenda, o juiz da primeira instância já deu parecer a favor do Ministério Público e entendeu que o Estado está errado.

Por Laryssa Mariano

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Musicoterapia é novidade no vestibular da UFMG

Em 2009 a Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) oferece uma nova opção de habilitação, trata-se da graduação em Musicoterapia. O projeto para implantação desse novo curso possui uma história longa, no ano 1978 a recém criada Associação de Musicoterapeutas de Minas Gerais enviou para a UFMG um documento com uma proposta de implantação do curso. Esse projeto passou por muitas mudanças durante os anos e agora com adequação às exigências do Reuni tornou-se possível a inclusão dessa graduação na universidade.

Para a musicoterapeuta Cybelle Loureiro, que teve sua formação na Universidade de Iowa nos Estados Unidos, “a implementação desse curso é uma grande conquista dado que somente de dez anos pra cá realmente houve uma abertura para um maior diálogo entre a universidade e os interessados em desenvolverem essa formação”.

Segundo a musicoterapeuta Maria Eugênia Albinati, co-fundadora da associação, a formação desse profissional é interdisciplinar, mas sua base está no conhecimento musical. Por isso o curso terá a Escola de Música como sede, mas o currículo conta com aulas em diferentes unidades como a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, a Escola de Medicina e também o Instituto de Ciências Biológicas da UFMG.

O tratamento proposto pela Musicoterapia se baseia na exploração de elementos musicais em exercícios dados aos pacientes. Assim busca-se entender o conhecimento musical que o paciente possui para que ele possa exercitar tanto suas funções motoras quanto psicológicas. Ela trabalha tanto o lado afetivo e emocional do paciente como também com sua coordenação motora.

O Centro de Extensão da Escola de Música da UFMG oferece um curso de musicoterapia para estudantes das áreas da educação, da saúde e da música. Mais informações pelo www.musica.ufmg.br/cursos.html ou pelos telefones 3409-6504 e 3409-6503.

Por Rafael Azevedo

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

No limite do corpo humano

A busca pelo centésimo de segundo de diferença no esporte profissional vem sendo marcada há tempos pela tecnologia para melhorar o desempenho. Grande exemplo foram as Olimpíadas de Pequim, com 25 recordes mundiais quebrados na natação. O novo maiô LZR Racer, que promete melhoria de até 2% na performance do nadador, foi usado em 23 das 25 novas marcas. Mais tempos só foram batidos, na história das Olimpíadas, em Munique, em 1972, e Montreal, em 1976, quando atletas alemães competiram sob suspeita de doping.

Em 1904, o americano Thomas Hicks venceu a Maratona Olímpica. Mas ele usara uma substância chamada estricnina e conhaque, para melhorar a resistência. Em 1960, depois de um ciclista morrer durante uma competição, o Comitê Olímpico Internacional passou a obrigar os atletas a fazer exames anti-doping. Na busca por rendimento, os competidores colocam suas vidas em risco, como observa o médico do esporte Ricardo Stein, especialista em cardiologia do exercício.

Um exemplo é a eritropoietina, um hormônio sintético que aumenta o número de glóbulos vermelhos no sangue e melhora a oxigenação, responsável pelas mortes de 35 ciclistas profissionais. A substância aumenta o risco de infarto.

Alto rendimento é sinônimo de saúde?
Além do doping, as próprias exigências de alto rendimento entre atletas profissionais vêm sendo outra causa de problemas de saúde em esportistas. Segundo Ricardo Stein, um outro estudo sobre ciclistas profissionais divulgado em 2003, na Bélgica, mostrou que um percentual muito alto deles apresentava problemas cardíacos. Nove dos 48 atletas pesquisados já morreram. “Existe uma doença chamada displasia ritmogênica do ventrículo direito. Ela tem sido muito estudada, e é responsável por morte súbita em atletas de alta performance. Supõe-se que essa doença pode ser desencadeada pelo treinamento excesivo”, aponta o médico. O cardiologista também afirma que é comum atletas de alto rendimento viverem menos do que outras pessoas.

O polêmico maiô LZR Racer


Por Fábio Freitas

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Realejo na mídia

Reportagem do MGTV 1ª Edição mostra o trabalho da revista. Sábado, 25 de outubro de 2008.

Circuito Cultural Praça da Liberdade

Mais do que um espaço para o lazer, um local de acesso à cultura. Será esse o destino da Praça da Liberdade? Pelo menos é o que promete o Circuito Cultural da Praça da Liberdade, projeto do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, em parceria com a iniciativa privada. O objetivo é reformar os prédios da praça, hoje utilizados por unidades administrativas do Governo do Estado, para abrigar, mediante convênios e permissão de uso por 21 anos, o Centro Cultural Banco do Brasil, o Centro de Indústria e Arte Contemporânea da Fiemg, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e o Circuito Cultural Vale do Rio Doce, entre outros.

A propaganda oficial tenta, a todo o tempo, passar a imagem de que o projeto vai gerar acesso a bens culturais para a sociedade de maneira ampla, mas omite problemas e polêmicas cruciais que cercam a iniciativa. Tomemos o site oficial, por exemplo. Recursos visuais, imagens e slogans chamativos, acompanhados de informações vagas e gerais. Tudo bem, não esperaríamos que polêmicas pudessem aparecer em um site oficial. Mas a situação é crítica quando somada ao já conhecido domínio do governo atual sobre a mídia, que dificulta a livre circulação de mais informações sobre o projeto.

Neste post inicial sobre o assunto, destaco a dificuldade em se conseguir informações um pouco mais aprofundadas sobre a questão. A secretaria de Estado de Cultura se recusa a fornecer informações como a existência ou não de pesquisas sobre a demanda cultural de BH que sustentem o projeto.

Aponto então, alguns pontos a se pensar e a serem explorados nas próximas entradas neste blog:

- É justificável que mecanismos de acesso à cultura sejam concentrados e centralizados em uma região nobre e já valorizada da cidade?

- A dinâmica da região (trânsito, equipamentos como lanchonetes, estacionamentos e caixas eletrônicos etc.), é suficiente para a demanda que o espaço pode vir a apresentar? A região comporta melhorias? O projeto prevê tais melhorais?

- Existe o receio de que a reforma nos prédios descaracterize o interior de edifícios de inestimável valor histórico e arquitetônico. As normas de tombamento estão sendo respeitadas?

- Qual o destino do Centro de Referência do Professor (CRP)? O centro funcionava dentro da Secretaria da Educação, foi desativado para as obras e ainda não tem outra sede.

- As parcerias com a iniciativa privada podem gerar distorções e gerar um centro de venda e não de acesso à cultura?

Será que essas perguntas serão respondidas?

Até a próxima!

Por Laryssa Mariano

sábado, 25 de outubro de 2008

Filosofia para surdos

A partir do ano que vem, a Filosofia será obrigatória nos três anos do Ensino Médio de todo o Brasil. Dentro desse contexto, surge a preocupação de como será a inclusão de pessoas surdas aos conceitos abstratos da disciplina. Regulamentada como Língua em 2002 objetivando a inclusão social da pessoa com deficiência auditiva, a Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS) ainda apresenta lacunas quando se trata de sinais para o vocabulário filosófico.


Pensando nisso, a estudante de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), Terezinha da Costa Rocha, 24 anos, elaborou o projeto Dicionário Temático da Língua Brasileira de Sinais: A Criação de Sinais Específicos da Filosofia, premiado com o primeiro lugar do Prêmio Jovem Cientista – categoria Estudante do Ensino Superior. Intérprete de LIBRAS, a Jovem Cientista percebia, no seu dia-a-dia, a dificuldade de transmissão de algumas idéias e teorias filosóficas para os alunos surdos.

Para tentar diminuir essa dificuldade, a futura filósofa elaborou um glossário virtual de mecanismo simples, baseado em um sistema de CD-ROM para computadores. “Após a pessoa colocar o CD, ela aciona a opção “Iniciar” e uma tela interna com uma caixa de busca é aberta. Ao clicar na palavra desejada, o programa mostra uma representação filmada do sinal com o movimento filmado, e abaixo aparece o significado na Língua Portuguesa e o exemplo de aplicação dentro de uma frase”, explica Terezinha.

A formatação do dicionário foi realizada a partir de reuniões feitas com pessoas com deficiência auditiva; os próprios surdos criaram os sinais para os termos. Para Terezinha Rocha, essa foi a maior dificuldade do trabalho: transpor os conceitos “abstratos” da Filosofia para os símbolos “concretos” da LIBRAS. “Às vezes, nós ficávamos o dia todo discutindo uma palavra. Eu passava o significado para os alunos, eles não o compreendiam; às vezes pediam um exemplo, “como eu utilizaria isso na aula de Filosofia?”, eu dava o exemplo – mas é uma coisa tão conceitual que se torna difícil. Tanto que alguns conceitos tiveram que ficar de fora desta edição”, reitera a autora do dicionário. Apesar da dificuldade, Terezinha afirma que não vai parar com o trabalho. “Ele vai possibilitar que pessoas com deficiência auditiva possam aprender Filosofia na sua própria língua, sem soletrar as palavras com as mãos. Eles têm recebido a novidade com alegria”.

A criadora do Dicionário para Surdos vê no Prêmio Jovem Cientista a possibilidade da continuação da pesquisa – incluindo alguns termos que não puderam, nesse exemplar, ser incluídos – e da distribuição gratuita do seu material. “O ganho desse prêmio trouxe-nos uma ótima oportunidade de visibilidade, de conseguir recursos, patrocínios, para distribuir esse material gratuitamente – visto que, se nós cobrássemos, estaríamos excluindo quem não pode pagar”, ressalta.


por Bruno Vieira

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Realejo recebe Prêmio Jovem Cientista

O trabalho Realejo: a experiência de produzir uma revista para pessoas com deficiência visual ficou com o terceiro lugar da categoria Graduado no XXIII Prêmio Jovem Cientista. A pesquisa concorreu com outros 484 trabalhos de todo o país. Ao todo, foram 1748 inscrições em todas as categorias. O Prêmio tem como objetivos estimular a pesquisa, revelar talentos e investir em estudantes e profissionais que procuram alternativas para os problemas brasileiros e nesta edição teve como tema Educação para reduzir as desigualdades sociais.
O trabalho foi desenvolvido em 2006 como projeto de conclusão do curso de Comunicação Social / jornalismo da UFMG pelas estudantes Eliziane Lara, Fernanda Santos, Flávia Reis e Luisa Naves, sob orientação do professor Elton Antunes. Como fruto da pesquisa, foi elaborada a revista Realejo, que se propõe como uma alternativa de fonte de informação para as pessoas com deficiência visual.
Em 2007, a pesquisa foi premiada como o melhor trabalho jornalístico na modalidade Revista Digital na Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom Nacional). Este ano, o projeto Além do olhar: o diagnóstico de um público formado por pessoas com deficiência visual, diante da informação jornalística, também relacionado à Realejo, foi o ganhador do prêmio na categoria Relações Públicas, modalidade Processo - Pesquisa.
O Jovem Cientista
O Prêmio Jovem Cientista é uma parceria entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Grupo Gerdau e a Fundação Roberto Marinho. Desde 1981, quando foi criado, vem premiando trabalhos inovadores nas mais diversas áreas do conhecimento, com a participação efetiva de estudantes e pesquisadores de todas as regiões brasileiras. É considerado pela comunidade científica uma das mais importantes premiações do gênero na América Latina.

O Prêmio Jovem Cientista tem cinco categorias: Graduado , para pesquisadores que tenham menos de 40 anos, com premiação de R$ 20 mil para o primeiro colocado (o segundo leva R$ 15 mil e o terceiro R$ 10 mil); Estudante do Ensino Superior, para alunos de escolas técnicas ou de cursos superiores que tenham menos de 30 anos de idade, com o vencedor conquistando R$ 10 mil (R$ 8.500 mil para o segundo e R$ 7 mil para o terceiro); Estudante do Ensino Médio, para alunos até 25 anos, que recebem computadores e impressoras. Já a categoria Mérito Institucional oferece R$ 30 mil e é um incentivo à pesquisa das duas instituições – uma de nível médio e uma de ensino superior - que inscreverem o maior número de pesquisas com mérito científico. Os professores ou pesquisadores que orientaram cada jovem cientista premiado recebem também um computador.

A cerimônia de entrega do prêmio ocorrerá no Palácio do Planalto, no dia 27 de novembro, com a participação dos 1º, 2º e 3º lugares de todas as categorias. Os trabalhos vencedores desta edição serão publicados em livro, para divulgação em centros de pesquisa, universidades e instituições públicas e privadas de todo o país.

Confira todos os trabalhos vencedores do XXII Prêmio Jovem Cientista.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

História de uma Rua 24 horas

O ritmo 24 horas da vida contemporânea é mais um atributo que a globalização tem nos colocado como desafio para o futuro. Em Belo Horizonte, o crescimento do número de estabelecimentos que oferecem este serviço é considerável, mas ainda não se mostra representativo como em São Paulo e outras capitais.

Curitiba abriga desde 1991 a primeira rua comercial coberta do Brasil, a Rua do Comércio 24 horas, que fica no centro da cidade. Na época de sua inauguração funcionavam 42 lojas com opções de lazer, varejo e serviços que tornaram a Rua ponto de encontro de turistas e curitibanos. Seus 116 metros de extensão abrigavam revistarias, lojas de roupa e artesanato, lanchonetes, bares, restaurantes, acesso à Internet, farmácia, floricultura e banco 24 horas.

Em 2007 a situação da Rua do Comércio já era bem diferente. Com o passar do tempo, alguns comerciantes desistiram de abrir 24 horas, a cidade ganhou outros pontos de encontro, shoppings foram construídos na região e a insegurança durante a madrugada se tornou um empecilho. Até que em setembro do ano passado apenas sete lojistas continuavam no local e o horário de funcionamento não passava das 23 horas.

Este ano a Rua 24 horas tem uma nova chance. Após seu fechamento no final do ano passado o local aguarda as obras que vão recuperar um dos cartões postais mais famosos da cidade. A Prefeitura de Curitiba, por meio da Urbanização de Curitiba (Urbs) abriu processo de licitação para reforma e exploração do espaço, que terá seu conceito comercial modificado.

Em vez de concentrar várias lojas de ramos similares, a Rua do Comércio 24 horas permitirá a instalação de estabelecimentos comerciais de seis segmentos: restaurante, café, revistaria, minimercado, farmácia e loja de presente e artesanato. O objetivo é transformá-la em um espaço com atrações comerciais de boa qualidade, 24 horas por dia. Além disso, pretende-se criar uma praça de alimentação diferenciada e comércios maiores. A expectativa é que a revitalização do local chame atenção novamente para o comércio tradicional de rua e devolva a rua que nunca dorme o charme e o movimento de seus anos de glória.

Por Flora Viana

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Realejo 3 em fase de produção

A terceira edição de Realejo já está em fase de produção. O lançamento está previsto para dezembro, mas você não precisa esperar até lá para conhecer os temas que vão fazer parte de nossa próxima edição. Toda semana, você confere algumas prévias das reportagens aqui, no blog de Realejo. Em cada post um assunto diferente, sempre relacionado às matérias presentes na revista.

A próxima edição de Realejo vai trazer um retrato do futebol feminino no Brasil e mostrar como a tecnologia pode ser utilizada para melhorar o desempenho esportivo. Na política, você vai conhecer o que há por trás da construção do Circuito Cultural Praça da Liberdade, uma obra do governo de Minas Gerais que vem causando polêmica. Vai conferir também como funciona o sistema de comércio 24 horas, um setor significativo na economia nacional.

No campo da saúde, você vai saber um pouco mais sobre atenção farmacêutica, musicoterapia e hiperatividade e na área da educação vai conhecer as vantagens e os desafios da educação inclusiva em Belo Horizonte. Realejo 3 traz ainda entrevista, crônica, artigos e uma reportagem especial sobre as categorias de base no futebol nacional.

Para começar a série de “aperitivos”, na próxima quarta-feira você vai conhecer a Rua do Comércio 24 horas. Não perca!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Realejo é apresentada no Fórum Pró-Trabalho da Pessoa com Deficiência

Nesta segunda-feira, dia 13 de outubro, a Revista Realejo marcou presença no Fórum Pró-Trabalho, onde foi apresentada e distribuída aos participantes. Mais uma vez a revista foi um sucesso de crítica e todas as pessoas aprovaram o projeto, inclusive abrindo discussões para futuras parcerias.

O Fórum Pró-Trabalho foi criado por uma plenária de instituições governamentais e não governamentais e luta pela implantação de estratégias de inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, em parceria com entidades e órgãos que possuem interesse no tema.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Acessibilidade digital

Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência lança site com acessibilidade total
Da redação do Portal Sentidos


"Qualidade total é indiscutível. E é de serviços de qualidade que as pessoas com deficiência precisam", afirma a secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Basttistella, ao lançar na última quinta-feira (25/09) o portal www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br da Secretaria de Estado [de São Paulo] totalmente acessível.

Para garantiro acesso porpessoas com limitação física ou sensorial, o site disponibiliza recursos como o aumento de fonte para usuário com baixa visão, contraste para auxiliar a navegação da pessoa daltônica, compatibilidade com diferentes leitores de tela, vídeos legendados para quem é surdo, entre outras ferramentas.

Temas relacionados à saúde, educação, esporte lazer, trabalho, legislação e outros assuntos que envolvem pessoas com deficiência podem ser encontrados no site através do link Centro de Informações Rui Bianchi. O nome é uma homenagem a um grande militante na área da pessoa com deficiência.

O site, que também divulgará as ações da secretaria, tem certificação nacional e internacional de instituições como a W3C-WAI-AAA, que desenvolve padrões para a criação e a interpretação dos conteúdos para web. De acordo com a secretária o portal obteve nota 10 do programa Examinator - um dos softwares de leitura de tela mais exigentes do mercado.

O objetivo do portal, que segundo a secretária é uma referência em acessibilidade em serviço digital oferecido por uma instituição governamental, é contribuir com o exercício da cidadania de todos. "A tecnologia é uma ferramenta de trabalho, uma ajuda técnica que lhe garante atividade e participação com acesso permanente e imediato. Uma pessoa com deficiência usa a tecnologia para desenvolver suas atividades, com independência. Daí a importância da acessibilidade digital."

O site da secretaria também será o gerenciador do Observatório de Direitos, criado em parceria com instituições do setor. Através dele cada município poderá registrar tanto as suas experiências com a inclusão social como também a falta de mecanismos que impede que ela aconteça de fato.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Realejo no 2º Encontro Nacional de Rádio e Ciência


A Revista Realejo participou, nesta semana, do 2º Encontro Nacional de Rádio e Ciência, promovido pela UFMG e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. O evento está sendo realizado na Reitoria da Universidade, campus Pampulha.

Enquanto o público transitava pelos diversos estandes de várias rádios do país, a Realejo, junto ao estande da Rádio UFMG Educativa (104,5 FM), esteve presente, mostrando-se também como uma boa estratégia para a divulgação científica.

O Encontro Nacional encerra-se hoje, às 17h.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Projeto de Relações Públicas da Realejo ganha prêmio nacional em congresso de Comunicação

O projeto de relações públicas da UFMG, "Além do olhar: o diagnóstico de um público formado por pessoas com deficiência visual, diante da informação jornalística", foi o ganhador do XV Expocom Nacional (Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação), evento integrante do Intercom 2008 (XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação) na categoria de Relações Públicas, modalidade processo D1.1 - Pesquisa.

O trabalho, desenvolvido por Bruno de Moraes Castro e Mário Mendes Neto, pesquisou a situação e as expectativas dos deficientes visuais de Belo Horizonte tendo em vista a elaboração de um veiculo jornalístico especificamente orientado para este público. A pesquisa foi utilizada para elaboração da Revista Realejo que é voltada para deficientes visuais que ganhou o prêmio XIV Expocom Nacional na categoria Jornalismo, modalidade digital no ano passado. Ambos os trabalhos integram, hoje o projeto de Extensão "Realejo - o som da notícia".

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Brasil nas Paraolimpíadas

Brasil fecha o dia nos Jogos com melhor classificação da história
Do UOL Esporte


O Brasil já havia batido o recorde em número de medalhas e ouros em uma única edição dos Jogos Paraolímpicos. Porém, o bicampeonato conquistado pela equipe do futebol de 5 na final contra a China por 2 a 1 fez com que o país ultrapassasse a Espanha no quadro geral e terminasse a competição em Pequim na nona colocação.

Com a maior delegação de sua história paraolímpica, o Brasil levou 188 atletas esperando pelo recorde, e foi correspondido. Ao todo, foram 47 medalhas, com 16 de ouro, 14 de prata e 17 de bronze, superando as 33 de Atenas-2004, até então a melhor campanha brasileira nos Jogos. Na Grécia, o país conquistou 14 douradas, 12 de prata e sete de bronze, ficando em 14º lugar no quadro de medalhas.

Na China, a natação e o atletismo foram os carros-chefes da delegação verde-amarela, com 19 e 15 medalhas conquistadas, respectivamente. Nas piscinas, Daniel Dias levou sete individuais e mais duas com o revezamento, sendo o atleta que mais angariou medalhas nos Jogos de Pequim. André Brasil faturou cinco, quatro delas, de ouro. O esporte ainda viveu o drama de Clodoaldo Silva, que às vésperas da estréia, foi obrigado a realizar uma reclassificação funcional, e mudou de classe, da S4 para a S5.

Abalado e abaixo do mesmo desempenho na categoria em que sempre competiu, não teve medalhas individuais, mas se superou no revezamento. Ele ganhou uma prata e um bronze com as equipes dos 4 x 100 m medley e livre e afirmou serem muito mais especiais do que as que obteve em Atenas. Na Paraolimpíada de 2004, a natação ficou com 11 medalhas no total.

Já o atletismo terminou com uma medalha a menos do que na competição ocorrida na capital grega, 15 contra 16. A prata ganha por Tito Sena ainda na noite desta terça-feira (horário brasileiro) na maratona classe T46 - para atletas amputados ou les autres (com má formação congênita), fez com que o país se aproximasse ainda mais do número de conquistas de Atenas-2004. Em Pequim, o grande nome foi Lucas Prado, que subiu ao lugar mais alto do pódio no Ninho de Pássaro nada mais do que três vezes, acabando com 100% de aproveitamento nas provas individuais.

Porém, esportes não muito tradicionais no Brasil fizeram história em Pequim. A bocha nacional estreou em uma competição paraolímpica e ganhou dois ouros e um bronze. A dupla formada por Dirceu Pinto e Eliseu Santos subiu ao lugar mais alto do pódio na China pela categoria BC4. Individualmente os atletas também fizeram bonito. Dirceu ganhou a medalha dourada competindo sozinho, e Eliseu a de bronze. Ele poderia ainda ter ficado com a prata, se os dois brasileiros não se encontrassem na semifinal da competição.

O tênis de mesa foi outro que levou uma medalha inédita, com a prata por equipes. Sem nunca ter alcançado ao menos a semifinal da modalidade, o Brasil, representado por Luiz Algacir e Welder Knaf, perdeu apenas para a França na decisão pelo ouro, após bater os favoritos chineses na fase anterior.

O judô, sempre forte no país, saiu de Pequim com cinco medalhas, uma a mais que nos Jogos de Atenas. Antônio Tenório, assim como em 2004, faturou o único ouro brasileiro, sagrando-se tetracampeão paraolímpico. A equitação, que nunca havia subido ao pódio da competição, ficou em Pequim com dois bronzes, ambos com o cavaleiro Marcos Alves, o Joca.

No quadro de medalhas, a China, assim como nos Jogos Olímpicos, liderou com novo recorde de 211 medalhas, sendo 89 de ouro. Na Grécia, há quatro anos, o país foi o vencedor com 141 no total. O Reino Unido se manteve na segunda posição, ultrapassando a marca das 100 medalhas, e viu os Estados Unidos subirem do posto de quarto colocado em Atenas, para o terceiro em Pequim.

O Canadá, terceiro em 2004 com 74 medalhas, caiu para o sétimo lugar na China, com apenas 50. O Brasil superou potências paraolímpicas como Espanha, Alemanha, França e Japão, deixando para trás os países que haviam ficado à sua frente em Atenas. Quem também deu um grande salto foi a África do Sul, do 13º, para o 6º lugar em Pequim, graças a nadadora Natalie Du Toit, maior medalhista de ouro do torneio, com cinco, e aos competidores do atletismo Hilton Langenhoven e Oscar Pistorius, com três medalhas douradas no total.

Cerimônia de encerramento
Na cerimônia que marcou o fim dos Jogos Paraolímpicos de Pequim, após 11 dias de disputas por 473 medalhas de ouro, fogos, danças, e o ritmo acelerado da cidade de Londres foram vistos pelos espectadores presentes no Ninho de Pássaro, estádio da abertura e do encerramento da competição chinesa.

Quem inaugurou a festa foram os atletas que deram, mais uma vez, um exemplo de superação e força de vontade. As delegações passaram pelo palco da festa, com seus destaques individuais carregando as flâmulas de seus países. Pelo Brasil, Daniel Dias, maior medalhista em Pequim, foi o porta-bandeira nacional. Na seqüência, a nadadora sul-africana Natalie du Toit, e o corredor Said Gomez, do Panamá, receberam o Prêmio Whang Youn Dai, entregue aos competidores que melhor representaram o espírito paraolímpico nos Jogos.

As arquibancadas, com em todos os dias de competições, repletas viram o discurso do presidente chinês, Hu Jintao, agradecendo a todos que fizeram dos Jogos em Pequim, o maior da história. Belas coreografias marcaram a cerimônia, com a formação de uma carta ao final, representando a Paraolimpíada que viria a seguir, a de Londres-2012. Após um pouco da tradição chinesa, a cultura inglesa invadiu o Ninho de Pássaro com guitarras e o tradicional ônibus de dois andares. Por fim, a pira paraolímpico teve sua chama apagada, encerrando de vez os Jogos de Pequim-2008.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Realejo 2 é sucesso no lançamento


A segunda edição da revista Realejo foi lançada na última segunda-feira, 26/08, durante a II Conferência Estadual da Pessoa com Deficiência, promovida pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). Cerca de 150 exemplares da publicação foram distribuídos gratuitamente a pessoas com deficiência visual e representantes de instituições ligadas a esse público.
Nesta edição, Realejo discute como o turismo pela Estrada Real pode interferir na vida de moradores do interior de Minas Gerais, mostra como foi a preparação dos atletas para as Olimpíadas e Paraolimpíadas de Pequim e faz uma passagem sobre a vida de fé, silêncio e oração das freiras que optaram pela clausura. Temas como os dezoito anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, consumo consciente e as dificuldades de lidar com o lixo eletrônico também estão presentes neste número da publicação.
A II Conferência Estadual da Pessoa com Deficiência reuniu mais de 400 pessoas, que discutiram temas como acessibilidade, saúde, educação, cultura, assistência social e inclusão no mercado de trabalho. Durante o evento, foram eleitos os delegados que representarão o estado de Minas Gerais na II Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, prevista para dezembro deste ano, em Brasília.

Realejo chamou a atenção do público pela maneira inovadora de divulgar informação a pessoas cegas e de baixa visão. Para o membro do Instituto de Cegos do Brasil Central, de Uberaba (MG), Flávio de Morais, “muitas vezes, é difícil para a pessoa com deficiência visual fazer a leitura Braille, por isso o áudio é muito significativo para quem não enxerga”. O modo como o som é trabalhado em Realejo também foi um ponto destacado pelo público, como é o caso do presidente da Organização Não Governamental Inclusão Social, de Betim (MG), José Humberto Soares. “Eu gosto muito de ouvi-la. Do jeito que a revista é produzida, a informação ganha mais vida”, enalteceu.

Paralelamente a distribuição de Realejo, foi realizado um cadastro do público que teve acesso a revista. O objetivo é estabelecer um contato posterior com os ouvintes a fim de conhecer suas sugestões, críticas e considerações a respeito da publicação.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Lançamento da Revista Realejo - nº 2



Atenção, pessoas:

A Revista Realejo nº 2 será lançada nesta terça-feira, dia 26 de agosto, às 9h, dentro das programações da II Conferência Estadual da Pessoa com Deficiência, promovida pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). O evento será no Hotel Fazenda Tauá - BR 381, sentido Belo Horizonte - João Monlevade. Segue o release do lançamento.


Projeto da UFMG lança segundo número de revista para cegos

A revista Realejo, publicação em áudio voltada a pessoas com deficiência visual, terá sua segunda edição lançada na próxima terça-feira (26/08) durante a II Conferência Estadual da Pessoa com Deficiência, promovida pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese).

Neste exemplar, Realejo discute como o turismo pela Estrada Real pode interferir na vida de moradores do interior de Minas Gerais, mostra como foi a preparação dos atletas para as Olimpíadas e Paraolimpíadas de Pequim e faz uma passagem sobre a vida de fé, silêncio e oração das freiras que optaram pela clausura. A segunda edição de Realejo traz ainda uma entrevista com a escritora Elizete Lisboa, que trabalha com literatura infanto-juvenil para crianças cegas e videntes, além das análises da médica Márcia Mendonça e do antropólogo Rogério do Pateo sobre as pesquisas com células-tronco e a questão indígena no Brasil, respectivamente. Temas como os dezoito anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, consumo consciente e as dificuldades de lidar com o lixo eletrônico também estão presentes na publicação.

A revista Realejo surgiu em 2006 como uma alternativa de fonte de informação para as pessoas com deficiência visual. Composta de reportagens, crônicas, notas e entrevistas, a publicação usa o áudio para construir uma narrativa própria e procura contemplar da melhor forma possível a realidade desse público. No ano passado o projeto recebeu o prêmio de melhor trabalho jornalístico na modalidade Revista Digital na Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação Nacional (Expocom Nacional), já sendo anteriormente a vencedora da etapa regional do evento.

A revista faz parte do projeto de extensão Realejo, o som da notícia, da Universidade Federal de Minas Gerais e tem como parceiros a Coordenadoria Especial de Apoio e Assistência à Pessoa com Deficiência (CAADE-MG), o Centro de Apoio Pedagógico à Pessoa com Deficiência (CAP-BH) e o Núcleo Apoio à Inclusão (NAI) da PUC Minas. A publicação conta ainda com o apoio institucional da Pró-reitoria de Extensão da UFMG e da Fundação de Desenvolvimento à Pesquisa (Fundep).

A II Conferência Estadual da Pessoa com Deficiência ocorre no Hotel Fazenda Tauá, rodovia 381, sentido Belo Horizonte – Vitória, Caeté/MG

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Vida guiada pelos sons

Sem visão desde a infância, artista cultivou sensibilidade auditiva que o tornou músico de vários instrumentos. Hoje maestro e professor, ele compartilha seu dom

Por Luciane Evans

Jornal Estado de Minas - 16 de agosto de 2008
foto: Beto Novaes/EM/D.A Press

Diz a sabedoria popular que quem canta seus males espanta. Seja no chuveiro, em uma roda de amigos, dirigindo ou até mesmo em cima dos palcos, a música alimenta a alma. Ivan Gomes, de 33 anos, que o diga. Maestro do Coral São Rafael, de Belo Horizonte, Ivan é daqueles músicos que não se encontram facilmente por aí. Além de reger, ele toca flauta, piano, órgão, violão, acordeão, cavaquinho, saxofone e, segundo ele, se arrisca na percussão. Um profissional completo que, além de ter afinidade com instrumentos musicais, arranca elogios pela voz que tem. O segredo, de acordo com ele, é a paixão, a vontade e o prazer em ouvir e cantar. A sintonia com os sons começou cedo. Aos 5 anos, Ivan perdeu a visão. Desde então, o que escutava passou a lhe chamar mais a atenção.

"Quando menino, sempre que ia às manifestações de congado, ficava atento. Quando a música parava, eu corria até os instrumentos e tentava tocá-los e ouvir o que eles tinham para me dizer", conta. O destino estava traçado. Ao perder a visão, o garoto que se tornaria maestro começou a se interessar ainda mais pelos sons e resolveu entrar para o coral de sua cidade, Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais. "Aos 5 anos, eu não enxergava mais nada. Tive reação alérgica a um antibiótico, perdi dentes, cabelos e a visão. Nesta situação, comecei a perceber mais o que estava ao meu redor. E aos 10 anos, entrei para o canto de Sete Lagoas", lembra. Naquela idade, ele já tocava cavaquinho, saxofone, piano, teclado e vários outros instrumentos. "As pessoas chamam isso de dom, mas, para mim, é persistência e muita força de vontade."

Com a vida regida pelos sons, Ivan veio para capital nos anos 1980 para estudar na Escola Estadual São Rafael, também conhecida como Instituto São Rafael, no Barro Preto. Criada em 1925, a instituição é dedicada a portadores de deficiência. "É um lugar em que aprendo muito com amigos e companheiros em sintonias", diverte-se. Não se sabe ao certo se foi Ivan que encontrou a música ou ela que o achou. "Só não sei viver sem ela", diz, com muita firmeza.

E essa história de amor entre as harmonias e o músico não ficou restrita ao cantar e tocar. Ivan, que já foi coralista, dá aulas de educação musical e teoria de musicografia. Há dois anos, é maestro do coral de ex-alunos e crianças do São Rafael. "A maioria é deficiente visual, mas temos estudantes portadores de deficiência mental", diz. Com as partituras em braille, ele rege os corais estalando os dedos, sussurrando ou batendo o pé. "É muita concentração, tanto minha quanto deles. Muitas vezes faço gestos, e as pessoas se intrigam com isso, mas na verdade é uma forma de me acostumar com essa maneira, caso um dia trabalhe com coralistas sem deficiência. Quem sabe em uma orquestra?", imagina, apostando no futuro.

Casado e pai de dois filhos - Gabriel, de 11 anos , e Isabela, de 6 -, Ivan confessa que depois da família, sua profissão é primordial. "É a musica que me faz viajar sem sair do lugar. É só escutar que o pensamento vai longe. Ela é tudo para mim, mexe com o meu lado emocional e desenvolve meu raciocínio. Todos deveriam alimentar essa paixão, para espantar os males. Mas muitos arranjam desculpas como idade, tempo, preguiça. Não é preciso trabalhar como músico; é só ser um ouvinte, que a alma agradece", aconselha.

PREFERÊNCiAS - "Voa, voa que eu chego já", diz a parte da música que fala mais alto ao coração de Ivan. Composta por Kleiton e Kledir, Vira Virou é a canção que o maestro mais gosta de cantar e ouvir. "Tem suavidade e transmite paz. O ritmo me leva para longe", revela.

A partir de hoje [16], ele se apresenta, ao lado de inúmeros outros músicos, em shows espalhados por BH e outras cidades (veja quadro), no 6º Festival Internacional de Corais, que homenageará a Bossa Nova. Ao seu toque, os coralistas cantarão Luz Viva, de Flávio Venturini. "Temos um repertório lindo, mas esta mexe com o íntimo de quem toca ou escuta. É fantástica", garante, para concluir que a alegria da vida está nos sons. "É com eles que nos sentimos vivos", define.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Conferência em defesa dos direitos para pessoas com deficiência será agora em agosto

A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social, Sedese, por meio da Subsecretaria de Direitos Humanos e do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, Conped, promove a II Conferência de Minas Gerais dos Direitos da Pessoa com Deficiência. O encontro, que acontece nos dias 25 e 26 de agosto de 2008, tem como tema: “Inclusão, Participação e Desenvolvimento: um novo jeito de avançar”.

Com o objetivo de analisar as políticas de integração de pessoa com deficiência nos âmbitos estadual e nacional, a Conferência busca identificar os avanços e os obstáculos enfrentados pelas pessoas com deficiência, além de apresentar suas demandas prioritárias.

A discussão irá abordar os seguintes eixos:
I – Saúde: acesso, prevenção e promoção;
II – Educação Inclusiva;
III – Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho
IV – Acesso à Cultura;
V – Assistência Social: acesso e promoção


Para mais informações, clique aqui.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Rádio legal

Do Portal Sentidos



Emissora de rádio online, criada por um grupo de cegos, veicula diversas informações e variada seleção musical

(da esq. pra dir.: Jean Schutz, Wilian da Silva, Reinaldo Tunes e Jairo da Silva)

Em 2005 quatro amigos cegos e apaixonados por músicas tiveram a idéia de criar uma rádio online. Desde então, vinham se reunindo e trabalhando em busca do mesmo ideal. Em junho de 2007, compraram um espaço virtual e, um mês depois, lançaram a Rádio Legal www.radiolegal.org. Com o objetivo de levar informação e entretenimento ao público ouvinte, a emissora oferece programação musical, cultural e jornalística.

A programação da Rádio Legal, que está no ar há um ano, é pré-gravada e atualizada semanalmente e tem aproximadamente 240 minutos de duração. Os idealizadores e criadores da rádio são o jornalista Jean Schutz, o músico Reinaldo Tunes, o Bacharel em Direito Wilian Aparecido da Silva e o funcionário público Jairo da Silva.

"Recebemos muitos e-mails dos internautas. Alguns fazem elogios, outros dão sugestões. A maioria elogia a qualidade da seleção musical. As opiniões dos nossos ouvintes vão propiciar a melhoria, cada vez mais, do nosso trabalho", diz Schutz, de 25 anos, que é responsável pelo jornalismo. Wilian, Jairo e Reinaldo cuidam da publicação, programação musical e cultural e atualização respectivamente.

Para saber o quanto a página da rádio recebe de visitas foi colocado um contador que permite quantificar o número de visitantes. "Até agora, o site www.radiolegal.org já recebeu quase 14 mil acessos", comemora Schutz.

Schutz e seus amigos, que atuam voluntariamente na administração da rádio, são alunos da Associação Catarinense para Integração do Cego (ACIC), que oferece atendimento para pessoas cegas e deficiência visual.

O som da notícia

Sejam bem-vindos!

Este é o blog da Revista Realejo, projeto de extensão da Universidade Federal de Minas Gerais e que tem o apoio da Fundep.

Aqui, estarão postadas as reportagens da revista, e notícias sobre o mundo das pessoas com deficiência visual.

Sinta-se em casa. Comente. Dê sugestões para revistarealejo@yahoo.com.br.